Metas de Bolsonaro vão contra tudo o que ele já defendeu, diz ex-ministro do meio ambiente

Fonte: A Tarde

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apresentou uma série de metas para reduzir o impacto do aquecimento global nesta quinta-feira, 22, na abertura da Cúpula do Clima. No entanto, para o ex-ministro do Meio Ambiente (2008-2010), Carlos Minc, as falas do presidente vão contra tudo o que ele fez nos últimos dois anos.

“Metas são interessantes, mas vão contra tudo que Bolsonaro fez e falou nos últimos dois anos. Há distância entre intenção e gesto. É curiosa a fala do presidente porque passou os últimos dois anos desmontando Ibama, dizendo que não há desmatamento nem queimadas, não homologou um hectare de terra indigena,” afirmou Minc.

“Bolsonaro poderia começar a cumprir as metas tirando garimpeiros de terras indígenas, acabar com decreto que afeta a fiscalização do Ibama, desestimular a grilagem, o garimpo ilegal e os desmatadores.”

Para o ex-ministro, os pedidos do governo por dinheiro estrangeiro são vazios e as verbas só vão chegar com ações. De acordo com Minc, o governo federal abre mão de mais de mais de R$ 1 bilhão em recursos externos por não agir para conter o desmatamento.

“Para ter remuneração é preciso ter serviço ambiental, ampliando áreas protegidas, ampliando áreas indígenas, fiscalização e combate a crimes ambientais, criando mecanismos a favor do extrativismo sustentável. Para ter pagamento é preciso mostrar serviço,’ disse Minc.

“Há R$ 1 bilhão utilizável do Fundo Amazônia que não é usado porque o Salles mudou as metas e os programas do ministro. Os países não querem mais dar dinheiro, mas o dinheiro existe. Há ainda R$ 800 milhões do fundo clima criado que não é usado porque o governo não acredita em mudanças climáticas e não apresenta programas para utilizar os recursos.”