Otto Alencar diz que aglomeração causada por Bolsonaro desmoraliza Queiroga: “No lugar dele, pedia para sair”

Fonte: BNews

A nova aglomeração incentivada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ex-ministro Eduardo Pazuello neste domingo (23) é considerada pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), titular da CPI da Covid, como uma afronta à Comissão. Segundo o parlamentar, esta atitude desmoraliza o atual titular da Saúde, Marcelo Queiroga.

“Eu, no lugar dele, pedia para sair”, afirmou Otto, em entrevista ao BNews.

Tanto Queiroga quanto o general Eduardo Pazuello defenderam o uso de máscaras e o distanciamento social nos depoimentos dados à CPI.

No ato deste domingo, contudo, Pazuello e Bolsonaro apareceram sem máscara de proteção individual na “motociata”, uma carreata com motociclistas, que aconteceu nesta manhã no Rio de Janeiro.

“Bolsonaro mais uma vez aglomerando e levando Pazuello, uma pessoa que CPI defendeu uso de máscara e hoje vai sem máscara. Bolsonaro quer, de alguma forma, levar a CPI com isso, mas nós não vamos deixar, vamos até o fim. Ninguém tem medo de Bolsonaro, um mentiroso não me faz medo. Igual ao Pazuello, que na oitiva mentiu 14 vezes”, declarou o parlamentar.

O senador titular da CPI afirmou que tanto o ex-ministro quanto o atual, serão convocados novamente a depor, principalmente após o episódio de hoje.

“Ele vai ser chamado, ele e o Queiroga. Como um ministro orienta uma coisa e, na prática, faz outra?”, questiona.

Otto Alencar lembra ainda que Pazuello não deveria ter participado do “ato político”, já que manifestações desta natureza são expressamente vedadas pelo Regulamento Disciplinar do Exército.

“O pior de tudo é o Pazuello, que vai para uma manifestação política, de encontro ao regulamento do Exército, que proíbe atos do tipo, exceto com autorização. Foi um ato político hoje, uma campanha para reeleição com dinheiro público, com participação da PRF e da Força de Segurança Nacional”, criticou Otto.

Nesta segunda-feira (24), o alto comando do Exército deve analisar a participação de Pazuello no ato bolsonarista.