Ipea: rendimento efetivo dos trabalhadores recua 2,2% em 2021

Os rendimentos efetivos dos trabalhadores brasileiros recuaram 2,2% no primeiro trimestre de 2021, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O dado integra uma análise sobre o impacto da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho, divulgada nesta quarta-feira (16). O rendimento efetivo inclui pagamentos de 13º, horas extras e descontos, ausentes no rendimento habitual.

Nesse período, a queda da população ocupada causou um impacto negativo na massa salarial real habitual. Conforme o Ipea, a proporção de domicílios sem nenhuma renda do trabalho subiu para 29,3% entre janeiro e março deste ano, 4,3 pontos percentuais acima dos 25% no primeiro trimestre de 2020. O Nordeste foi a região mais afetada pela segunda onda da pandemia, com queda de 7,05% da renda efetiva.

O estudo, que utiliza dados da Pnad Contínua, indicou que a faixa etária mais afetada pela segunda onda foi a dos jovens adultos (25 a 39 anos), com queda de 7,73% dos rendimentos. A renda dos trabalhadores com 60 anos ou mais cresceu 7,06%, influenciada principalmente pela alta proporção de trabalhadores por conta própria nessa faixa etária.

Nesta análise, o Ipea constatou ainda que as horas efetivamente trabalhadas não foram afetadas significativamente pela segunda onda da Covid-19. A diferença entre as horas habitualmente trabalhadas e as efetivamente trabalhadas era de 96% no último trimestre de 2019. Essa proporção caiu para 78% no segundo trimestre de 2020 por conta da primeira onda da pandemia. O primeiro trimestre de 2021 mostrou que essa relação voltou ao patamar de 2019, com diferença de 94%.