Imóveis disponíveis em leilão têm descontos de até 80%

Quem está na busca por adquirir imóvel com descontos de até 80%, por meio de leilão ou venda direta, deve ficar de olho nas oportunidades (permanentes) e editais publicados por bancos e leiloeiros oficiais. Esta semana, por exemplo, o Banco do Brasil (BB) anunciou a oferta de 2,3 mil propriedades disponíveis por todo o país, na plataforma seuimovelbb.com.br, algumas com esse percentual de abatimento. Há opção com lance inicial de R$ 6,9 mil; outro que começa com R$ 33,9 milhões – caso de uma área localizada na Asa Sul, região nobre de Brasília (DF).

A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal informou que todos os imóveis de sua propriedade à venda estão relacionados no endereço www.caixa.gov.br/ximoveis, onde podem ser feitas consultas e ofertas de propostas. Segundo a nota, “a venda ocorre de forma permanente e não existe um evento específico com prazo para este processo. Basta que o cliente realize seu cadastro no site e apresente a proposta para o imóvel desejado”.

No caso do BB, todos os imóveis estão quitados e não possuem dívidas que fiquem a cargo do adquirente. E geralmente é assim que acontece, quando do arremate de imóvel por leilão. Eventuais débitos, como condominiais ou fiscais (a exemplo de inadimplência do IPTU), costumam ser de responsabilidade do vendedor. Mas há casos em que não, e aí é preciso ficar atento quanto às regras que regem cada processo, dizem os especialistas. Inclusive saber se a unidade em questão segue ocupada ou não.

De acordo com o advogado especializado em direito imobiliário André Maia, a aquisição de imóveis por meio de leilão costuma ser uma das opções mais vantajosas, porém desde que cercada de cuidados. Segundo ele, o primeiro passo é ler detidamente o texto do edital/anúncio; em seguida, levantar uma certidão de ônus do bem no cartório de registro da propriedade; e, por último, visitar o local, se certificando se está ocupado – e “por quem”, frisa.

“A certidão de ônus é o documento que atesta todo tipo de gravame, ou histórico de um imóvel. Há casos em que o débito condomínio, por exemplo, pode ainda não constar na certidão, daí a importância da leitura cuidadosa do edital, que tem a obrigação de trazer essa informação. E, no caso de ocupado, é preciso ampliar e muito os cuidados. Ver quem é a pessoa, se se trata de antigo adquirente, ou terceiro, como inquilino ou alguém que invadiu”, afirma.

Setor aquecido

Ele explica que são todas “medidas simples”, para se evitar dor de cabeça. Ainda segundo Maia, com um pouco de experiência e conhecimento do mercado, e interpretando todo o texto publicado, é possível o consumidor se lançar sozinho nessa jornada de compra. Do contrário, e na dúvida, o ideal é contar com uma consultoria profissional. Ele fala, no entanto, que o mais comum é a pessoa “procurar o advogado depois da constatação do problema”.

Diretora de Real Estate na Sold Leilões, Andréia Tavares conta que o setor aqueceu na pandemia. Segundo ela, o número de novos cadastros e tráfego na plataforma da empresa cresceu 40% no período. Andréia credita o desempenho à migração de investidores do mercado financeiro para o imobiliário, bem como a própria crise sanitária, que levou, segundo a analista, mais pessoas a rever a questão da casa onde mora, almejar por espaços maiores, com mais área verde, ou no interior, por exemplo, situações dessa natureza, conta.

Ela destaca também os preços “acessíveis” dos imóveis, o financiamento neste momento “facilitado” (por parte dos bancos), e fala de decréscimos nos preços variando entre 20% e 70%.

Andréia explica que é possível arrematar um bem à vista, financiado (com entrada) ou de forma parcelada. No BB, os imóveis disponíveis podem ter mais 3% de desconto em cima do valor ofertado, em caso de compra à vista, ou parcelados em até 12 vezes sem juros. As vendas são realizadas 100% de maneira online.

Crise x oportunidade

Na Caixa, detalha a assessoria, são duas as modalidades de compra existentes: venda direta online e venda online, a depender do imóvel desejado. Na venda direta, o cliente já pode fechar o negócio assim que escolhe o imóvel. No caso de venda online, ocorre disputa. A Caixa recebe as propostas pelo prazo de sete dias e, ao final, indica o cliente que deu a melhor oferta, que poderá seguir com o processo de compra.

Vale destacar que, para participar da compra de imóveis da instituição é preciso ser pessoa física maior de 18 anos, ou representante de pessoa jurídica, e ser domiciliado ou estabelecido em qualquer localidade do território nacional.

Detalhe que não pode ser perdido de vista, destaca Andréia: se aumentou a oferta de imóveis em leilão e de bancos é porque cresceu também a inadimplência nessa área.

“São imóveis de retomada, devido à inadimplência, causado pelo endividamento das famílias. Tem ainda a devolução de imóveis por empresas que fecharam, ou reduziram espaços físicos, entregando lajes corporativas, andares de escritórios, pontos comerciais. Ou porque precisaram reforçar o caixa, se recapitalizar”.

Para o gerente-executivo do BB, Edson Chini, trata-se de uma (boa) oportunidade de investimento. Segundo ele, as vendas são realizadas 100% online. “O Banco do Brasil está sempre atento ao desenvolvimento de soluções que garantam transparência, agilidade e automação da venda ao consumidor final. É por isso que a jornada do cliente no espaço virtual não é só uma aposta, é uma realidade que oferece comodidade e traz benefícios e segurança aos clientes”, afirma.