‘Eu vou lhe derrubar’: vídeo mostra agressões de ex-patroa pouco antes de babá se jogar de prédio no Imbuí

Imagens que começaram a circular em grupos de conversa nesta quinta-feira (2/9) mostram agressões de Melina Esteves França contra Raiana Ribeiro, de 25 anos, então funcionária da primeira. O registro é da câmera de segurança situada no apartamento de Melina, no Imbuí, de onde Raiana se jogou, pouco depois, alegando fugir da ex-patroa.

No vídeo, Raiana está no sofá segurando uma das filhas de Melina. Ela, então, parte para cima da babá e lhe dá tapas, socos na cara, chutes e puxões de cabelo. No início das imagens, ela fala para a jovem: “Você não tem ninguém […], e mesmo que tivesse, eu vou lhe derrubar…”.

A ex-patroa sugere, ainda, que Raiana teria agredido a criança de apenas um ano. “Você acha certo isso […] com minha filha, é? […] Sua vagab*nda! Sua p*ta! ‘Desculpa’, não. Está certo isso o que você fez?!”, indaga, enquanto bate mais na babá. Algumas palavras não foram transcritas devido à qualidade do áudio.

CONFIRA

Vídeo divulgado pelo G1 Bahia.

INVESTIGAÇÃO

Já são 11 as mulheres que procuraram a Polícia Civil para prestar queixa contra Melina Esteves França, suspeita de manter a babá de seus filhos em cárcere privado. Três trabalhadoras foram à 12ª Delegacia Territorial (DT/Itapuã) na última segunda-feira (30/8) e confirmaram que passaram por momentos de terror no próprio emprego.

Uma das mulheres, de prenome Ariana, contou à reportagem do Grupo Aratu que prestou serviços de babá para Melina no ano de 2018, e que durante este período era humilhada e xingada o tempo todo pela patroa.

“Era xingamento o tempo todo, de desgra**, vagab**. Foram dias terríveis da minha vida. Eu tinha que levar minha comida, minha água. Não podia pegar nada que era dela. Se eu fosse beber água, me xingava de desgr**, de vaga**”, relembrou Ariana. Nessa época, segundo ela, Melina morava no bairro de Piatã – antes de se mudar para o Imbuí -.

 

Em 2018, Melina tinha apenas um dos quatro filhos, mas ele também era alvo da ira. “Uma hora ela ‘tava’ de boa, em outra estava agressiva. Ela gritava com o filho e com a mãe”, sustenta a vítima.

Assim como as demais vítimas, Ariana ressaltou que Melina não era uma boa pagadora e que quando questionada pelas funcionárias sobre quando elas receberiam pelos serviços prestados, a patroa reagia com hostilidade.

“Teve um dia que ela tomou meu celular no dia do pagamento. Para mim, eu não sairia viva dali. Por fim, ela me pagou dois meses e o restante ficou sem pagar”, disse Ariana, que revelou também que, por medo, não reagiu às agressões.

“A gente não consegue reagir, até porque eu precisava do emprego. Ela disse que se eu falasse um pouco alto, ela iria me bater. Pensei que era um emprego honesto, mas não era”, concluiu.

A funcionária já havia tentado denunciar as agressões anteriormente, mas a patroa tomou conhecimento da denúncia e foi até a casa dela fazer novas ameças. “Ela ficou sabendo que dei queixa e ela foi na minha casa. Me chamou de preguiçosa. Fiquei com muito medo e disse que se eu não retirasse a queixa eu ia ver”.

Ariana e outras 10 mulheres denunciaram Melina, que é mãe de trigêmeas de 1 ano e 9 meses e de mais um filho, após Raiana Ribeiro da Silva, de 25 anos, se jogar do 3ª andar do local onde trabalhava há uma semana.

Raiana sustentou que as agressões começaram já nos primeiros dias e, após ela tentar se desvencilhar, foi mantida presa em um banheiro pela patroa, de onde acabou se jogando para se libertar. Ela sofreu fraturas após a queda.

“Eu não sou obrigada a ficar num lugar que não me agrada. Ela tinha que me deixar ir. Quando eu cheguei ela não conversou comigo, só falou quando voltou da rua. Aí, ela disse que ia assinar minha carteira em janeiro. Na terça-feira, quando eu falei que ia embora, ela não aceitou. Não teve motivo nenhum para ela me agredir. Eu disse que só ia ficar até quarta-feira. Aí, ela falou: ‘ah, vagabunda…você vai ver como vai sair daqui’. Aí, começou a esculhambar minha mãe, minhas tias”, detalhou Raiana à TV Aratu.

 

Melina prestou depoimento por mais de cinco horas no dia 26 de agosto, um dia após o caso vir à tona, na 9ª Delegacia Territorial (DT/Boca do Rio). Na saída da delegacia, ela preferiu não dar entrevistas, e chegou a agredir a equipe da TV Aratu.