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Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, diz Masoud Pezeshkian

Redação TNB por Redação TNB
1 de abril de 2026 às 21:30
em Internacional
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Irã não nutre inimizade pelo povo dos EUA, diz Masoud Pezeshkian
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Em carta destinada “ao povo dos Estados Unidos da América” e “aqueles que continua a buscar a verdade”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que povo do país persa não nutre inimizade contra outras nações, incluindo o povo da América, da Europa ou de países vizinhos.

O longo texto, em inglês, foi publicado nesta quarta-feira (1º), em uma postagem na rede social X. O líder iraniano citou ter sofrido repetidas intervenções estrangeiras ao longo da história e disse buscar combater o que chamou de “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas”.

“Os iranianos sempre traçaram uma distinção clara entre governos e os povos que eles governam. Este é um princípio profundamente enraizado na cultura iraniana e na consciência coletiva — não uma posição política passageira”, diz Pezeshkian.

Bases militares dos EUA

O texto destaca que que Irã é uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana e que, apesar das vantagens históricas e geográficas, o país “nunca escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação”.

“Dentro desse mesmo quadro, os Estados Unidos concentraram o maior número de suas forças, bases e capacidades militares ao redor do Irã — um país que, ao menos desde a fundação dos Estados Unidos, nunca iniciou uma guerra. Agressões americanas recentes lançadas a partir dessas mesmas bases demonstraram o quão ameaçadora essa presença militar realmente é. Naturalmente, nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”, enfatizou

“O que o Irã fez — e continua a fazer — é uma resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão”, prossegue o presidente iraniano.

Mais adiante, no texto, Masoud Pezeshkian pondera que as relações entre o Irã e os EUA nem sempre foram hostis, mas que acabaram se deteriorando quando os norte-americanos articularam um golpe de Estado para derrubar o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, no que ficou conhecida como Operação Ajax, com apoio do Reino Unido.

O golpe ocorreu depois do governo iraniano da época decidir nacionalizar os recursos petrolíferos do país.

“Esse golpe desestruturou o processo democrático iraniano, restaurou uma ditadura e semeou uma profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA. Essa desconfiança se aprofundou ainda mais com o apoio americano ao regime do xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta dos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, por fim, agressões militares não provocadas — duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã”, continua a carta do presidente persa.

Impacto destrutivo

Pezeshkian observou que todas essas pressões fracassaram em enfraquecer o Irã e argumentou que o país se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica.

“As taxas de alfabetização triplicaram; o ensino superior se expandiu de forma significativa; avanços expressivos foram alcançados em tecnologia moderna; os serviços de saúde melhoraram; e a infraestrutura se desenvolveu em um ritmo e escala incomparáveis ao passado. Essas são realidades mensuráveis e observáveis, que existem independentemente de narrativas fabricadas”, pontuou.

O presidente ressalta que, Ao mesmo tempo, o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão sobre a vida do “resiliente povo iraniano” não deve ser subestimado.

“A continuidade da agressão militar e os bombardeios recentes afetam profundamente a vida, as atitudes e as perspectivas das pessoas. Isso reflete uma verdade humana fundamental: quando a guerra inflige danos irreparáveis a vidas, lares, cidades e futuros, as pessoas não permanecem indiferentes aos responsáveis”, afirmou o líder iraniano.

Masoud Pezeshkian ainda pôs em dúvida se os interesses do povo norte-americano estão sendo realmente atendidos por essa guerra.

“Havia alguma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento? O massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou vangloriar-se de bombardear um país ‘de volta à idade da pedra’ serve a algum propósito além de prejudicar ainda mais a posição global dos Estados Unidos?”, questionou.

Representante de Israel

O presidente do Irã afirmou também que o país buscou negociações e cumpriu todos os compromissos. “A decisão de se retirar desse acordo, escalar rumo ao confronto e lançar dois atos de agressão em meio às negociações foram escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA — escolhas que serviram às ilusões de um agressor estrangeiro”.

Atacar a infraestrutura vital do Irã, incluindo instalações energéticas e industriais, atinge diretamente o povo iraniano, reforçou Pezeshkian. Ele questionou se os EUA não estão sendo manipulados por Israel na promoção deste conflito

“Não é verdade que Israel, ao fabricar uma ameaça iraniana, busca desviar a atenção global de seus crimes contra os palestinos? Não é evidente que Israel agora pretende lutar contra o Irã até o último soldado americano e até o último dólar do contribuinte americano — deslocando o ônus de suas ilusões sobre o Irã, a região e os próprios Estados Unidos, em busca de interesses ilegítimos?”, indagou.

“Convido vocês a olhar além da máquina de desinformação — parte integrante dessa agressão — e, em vez disso, conversar com aqueles que visitaram o Irã. Observem os muitos imigrantes iranianos bem-sucedidos — formados no Irã — que hoje lecionam e realizam pesquisas nas universidades mais prestigiadas do mundo, ou contribuem para as empresas de tecnologia mais avançadas no Ocidente. Essas realidades correspondem às distorções que lhes são apresentadas sobre o Irã e seu povo?”, concluiu Masoud Pezeshkian.

Um mês de guerra

Os ataques combinados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês nesta semana, ainda sem perspectiva concreta de um acordo que ponha fim ao conflito.

Autoridades importantes do país persa estão entre os mortos, incluindo o líder supremo, Ali Khamenei.

O conflito levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, rota controlada pelo Irã por onde circulam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo no mercado internacional. Como consequência, o preço no barril já aumentou cerca de 50%. Pesquisadores já apontam riscos ambientais e climáticos associados ao conflito.

Ainda nesta quarta, o presidente dos EUA, Donald Trump, fará um pronunciamento à nação para tratar sobre a guerra. A mensagem, ao vivo, deve ir ao a partir das 22h (horário de Brasília).

Fonte Agência Brasil

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