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Dino manda PF apurar interferência externa no processo eleitoral

Redação TNB por Redação TNB
28 de outubro de 2026 às 06:58
em Geral
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Dino mantém remoção de vídeos de vereador que ofendeu adversário

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para apurar a possível interferência estrangeira sobre o processo eleitoral brasileiro, sobretudo por meio do financiamento oculto de campanha política. 

Entre as principais informações citadas pelo ministro, está a de que os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang teriam atuado em nome da empresa Rockbridge Network para angariar recursos para a campanha do candidato Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. 

“A proibição de financiamento estrangeiro prevista no ordenamento brasileiro encontra paralelo também nos Estados Unidos e, por isso, com maior razão, não se pode admitir que recursos supostamente provenientes daquele país sejam empregados para influenciar a disputa eleitoral brasileira”, afirmou Dino. 

Outra denúncia diz respeito à veiculação remunerada, por perfis sediados no exterior, de conteúdos alusivos à eleição presidencial brasileira. As publicações traziam dados favoráveis à vitória de Flávio Bolsonaro na plataforma de apostas Polymarket, bloqueada no Brasil desde 2024. 

Dino citou uma representação aberta pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão), que apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exemplos desses anúncios, sempre em perfis estrangeiros, mas voltados ao público brasileiro. 

“Com base no acervo probatório e nas postagens colecionadas, verifica-se um padrão: perfis estrangeiros, de forma reiterada, fazem postagens versando sobre as eleições brasileiras, todas realizadas de forma paga, quase sempre em português e voltadas ao público brasileiro”, diz a representação de Renan Santos. 

Decisão

O ministro tomou a decisão após ser provocado pelo PT numa arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) aberta pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), na qual o ministro já decidiu sobre questões relativas à soberania nacional e à aplicação de ordens judiciais e leis estrangeiras no Brasil. 

Na decisão desta terça-feira (27), o ministro avaliou que as informações levadas ao seu conhecimento, todas relativas a uma possível interferência estrangeira nas eleições, não devem tramitar na referida ADPF, mas necessitam ser apuradas em procedimentos próprios de investigação, sob a supervisão do STF. 

Ele afirmou que todas as denúncias reforçam a preocupação levantada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que, em relatório anterior às eleições sobre desafios de inteligência para 2026, apontou para o alto incentivo para que atores externos com interesses no Brasil interferissem no processo eleitoral.

“Nesse contexto, reconheço a existência de um verdadeiro dever constitucional de proteção da democracia, da soberania popular e da liberdade do processo eleitoral, que impõe ao Estado brasileiro, por meio de seus Poderes constituídos – inclusive o Poder Judiciário -, a adoção, no âmbito de suas competências, das medidas necessárias para prevenir, fazer cessar e repelir ingerências estrangeiras incompatíveis com a livre formação da vontade do eleitorado brasileiro”, escreveu Dino.

Meta

Ainda foram citadas por Dino suspeitas em torno da atuação da empresa Meta – dona das plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp. O ministro mencionou relatório publicado em 22 de outubro pelo Comitê de Supervisão da Meta, que apontou falhas na garantia de integridade eleitoral da empresa.

Ele citou ainda preocupações externadas por observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que atuaram durante as eleições brasileiras, em comunicado publicado em 21 de outubro. 

Entre as preocupações elencadas pela ONU estão: 

  • Interrupções temporárias na conta de campanha de um candidato; 
  • Diferenças no engajamento do público, nos feeds de usuários, na contagem de visualizações e no alcance; 
  • Restrições às postagens dessa campanha no Instagram; 
  • Diferenças entre os principais partidos políticos na geração de imagens por IA, nos resultados de busca em canais do WhatsApp, nos Stories dos candidatos e na distribuição de conteúdo político que pode beneficiar a campanha do candidato adversário.

Terras raras 

Por fim, o ministro afirmou ainda ser necessário apurar a acusação de que a exploração mineral de terras raras em território brasileiro tenha sido ofertada em troca de interferência no processo eleitoral. 

Dino frisou “a necessidade de esclarecer o possível vínculo entre apoio eleitoral e o interesse econômico de agentes estrangeiros nas terras raras e nos minerais críticos brasileiro”. 

“Cumpre, portanto, apurar quem teria formulado eventual proposta, a quem ela teria sido dirigida, por qual instrumento e em que consistiria a suposta contrapartida, tendo presente que os recursos minerais pertencem à União e sua exploração depende de autorização ou concessão concedida no interesse nacional”, acrescentou o ministro. 

Investigação 

Ao final da decisão, Dino determinou que a PF atue nas seguintes linhas de investigação: 

  • a) a natureza das tratativas noticiadas entre representantes da ROCKBRIDGE NETWORK e os Srs. TALLIS GOMES e PEDRO SANG, inclusive eventual vínculo entre recursos, serviços ou outras vantagens economicamente aferíveis e campanha eleitoral;
  • b) a identidade dos responsáveis pelo pagamento e pela contratação da publicidade eleitoral atribuída a perfis estrangeiros, sua origem financeira e a eventual participação consciente de pessoas ou entidades situadas no Brasil;
  • c) a existência de elementos concretos que relacionem as tratativas sobre financiamento político aos interesses econômicos noticiados em terras raras e minerais críticos brasileiros;
  • d) a natureza, os participantes e a finalidade dos contatos entre representantes da ROCKBRIDGE NETWORK e empresários brasileiros; e
  • e) assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas, por parte de empresas de internet, visando favorecer ou prejudicar candidaturas no processo eleitoral do Brasil.

Defesa

Em nota enviada à Agência Brasil, o empresário Tallis Gomes disse que não exerce nenhuma função na Rockbridge Network, no Brasil ou no exterior. Ele também afirma não ter participado da campanha de nenhum candidato à Presidência. 

O texto diz que Gomes “não participou de arrecadação eleitoral, doou a candidatos ou partidos, nem recebeu, ofereceu ou intermediou recursos nacionais ou estrangeiros para fins políticos. Suas manifestações e participações eleitorais refletem apenas opiniões pessoais”. Por fim, a nota acrescenta que o empresário tomou medidas judiciais contra Renan Santos.

* Matéria alterada às 15h22 para acrescentar aspas do ministro Flávio Dino no quinto e sétimo parágrafos e às 18h38 para acréscimo do posicionamento de Tallis Gomes.

Fonte: Agência Brasil

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