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Jovem conta que recebia socos e era afundada na piscina por Jairinho

Redação TNB por Redação TNB
28 de maio de 2026 às 17:56
em Geral
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Jovem conta que recebia socos e era afundada na piscina por Jairinho

© Tomaz Silva/Agência Brasil

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A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, atualmente com 18 anos, relatou nesta quinta-feira (28), no quarto dia de julgamento do caso Henry Borel, ter sido agredida pelo réu, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. 

Kaylane é filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho, que é acusado de ter matado o menino Henry Borel, de 4 anos, em março de 2021. O depoimento da jovem foi nesta manhã, no 2º Tribunal do Júri no Rio de Janeiro.

A estudante relatou que teve contato como Jairinho aos 3 anos, quando a mãe começou a se relacionar com o então vereador. O relacionamento durou até ela ter cerca de 7 anos. Kaylane narrou que os episódios de agressão aconteceram do meio para o fim desse período.

“Era tudo junto, ele pegava a minha cabeça, ficava batendo na quinta, depois torcia o meu braço, me dava moca [socos na cabeça], ia repetindo e depois eu ia embora para casa”, contou a testemunha, que chegou a chorar durante momentos do depoimento.

A pedido de Kaylane, o testemunho foi sem a presença de Jairinho no plenário do júri. Monique Medeiros, mãe do menino Henry e também ré pela morte do filho, presenciou o depoimento.

A estudante esclareceu que não chegou a morar na casa do vereador, mas que passava tempo com o casal e também sozinha com ele.

“Afundamento”

Kaylane disse que costumava ir com os dois para um lugar que ela acredita que se tratava de um motel. A estudante nega que houvesse algum tipo de abuso sexual contra ela, mas contou que passava por episódios de afundamento em uma piscina que havia perto da garagem do local.

“Na piscina, ele me afogava com o pé na minha barriga até eu encostar no chão. Ele me soltava, eu subia, respirava um pouco, e ele me afundava com o pé”, relembrou.

Kaylane contou que não ficava com marcas de agressões. Ela garantiu que sabia que não eram brincadeiras e relatou que era orientada por Jairinho a não contar para a mãe sobre a violência.

“Para ela não ficar triste”, disse. Segundo ela, em uma ocasião em que machucou o braço direito, ele a pediu para que atribuísse às aulas de jiu-jitsu, que ela fazia.

“Disse que eu atrapalhava”

A estudante confirmou que ouvia do réu que ela atrapalhava a vida da mãe e do casal.

“Ele falava que, se eu não existisse, se fossem só ele e a minha mãe, iria ser muito melhor, que eu atrapalhava. Se eu não existisse, ela poderia viajar. Seria melhor se eu não estivesse ali”, relatou.

A acusação é semelhante ao que diz a investigação da polícia sobre o menino Henry, que teria perguntado à Monique Medeiros se ele a atrapalhava.

A jovem disse que antes do fim do relacionamento da mãe desenvolveu sentimento de medo de Jairinho. “Sempre que via o carro dele chegando, eu corria e vomitava”.

A estudante disse que só contou sobre a violência para a mãe e a avó cerca de um ano depois do fim do relacionamento, após assistir a um programa de TV com um caso semelhante. “Eu chorei muito”.

No depoimento de cerca de uma hora, Kaylane de Oliveira Duarte Pereira afirmou que, por anos, evitava se lembrar da história para não reviver os sofrimentos.

Sentimento de culpa

Ao tomar conhecimento da repercussão do caso Henry, ela disse que teve um “gatilho” que a fez relembrar episódios e chegou a se sentir culpada”.

“Se eu tivesse revelado antes, não chegaria onde chegou”. Ela explicou que esse sentimento fez com que tivesse incentivado a mãe dela a procurar Leniel Borel, pai de Henry, para colaborar, de alguma forma com o caso.

Na visão dela, é uma forma de evitar que a história se repita com outras pessoas. “Ele [Jairinho] conhecer outra pessoa com outro filho e fazer as mesmas coisas”.

Depoimento da mãe

Natasha Machado, mãe de Kaylane, disse que se separou do pai da criança seis meses após o nascimento e que Jairinho foi o primeiro relacionamento após a separação.

Ela confirmou que não identificava marcas de lesões na filha. Segundo a mãe, desde que tomou conhecimento das agressões sofridas pela filha, não teve mais contato com Jairinho.

Natasha disse que decidiu, em conjunto como a filha, procurar Leniel Borel para relatar os episódios e confirmou que o advogado que representa a família dela no processo contra Jairinho foi indicado pelo pai de Henry.

Ela confirmou que desconfiava de que era dopada por Jairinho. Em uma das ocasiões, simulou ter tomado o comprimido e, de madrugada, flagrou Jairinho erguendo a menina da cama. Ao questioná-lo, ele alegou que a menina que tinha acordado.

Natasha contou que não sofreu violência física durante o tempo de relacionamento, mas que identificou violência psicológica após o término.

“Por exemplo, quando apareceu uma foto minha íntima na rua. Ele apareceu dizendo que ninguém mais iria me assumir, que era melhor eu voltar”. Ela acredita que foi ele quem espalhou a imagem.

Agressão contra mãe e filho

Outra testemunha a depor nesta quinta-feira foi uma mulher, que assim como Natasha, denunciou em outro processo agressões cometidas por Jairinho.

Ela conta que estava em um apartamento com a filha de 6 anos; um filho de 2 para 3 anos; e o vereador. Segundo ela, Jairinho a dopou, estuprou e largou no quarto.

A testemunha relatou que, apenas em 2021, quando o caso Henry ganhou repercussão, a criança relatou que também sofreu violência por parte de Jairinho.

“Ele botou papel e pano na boca dele para que não gritasse. Pisou na barriga dele e ficou rindo”. O menino contou ainda que foi levado para o carro, e que Jairinho colocou um saco na cabeça dele e ficou rodando pelo estacionamento.

A ex-namorada descobriu que havia sido dopada porque a criança disse que tentou alertá-la para as agressões.

“Ele disse ‘tentei te sacudir, mas você não respondia’”.

A mãe, que chorou em momentos do depoimento, contou ainda que, antes mesmo desse episódio, o menino sofreu fratura no fêmur. O garoto foi para uma festa acompanhado apenas do vereador. “Ele disse que cuidaria da criança como se fosse filho dele”.

Segundo a testemunha, Jairo criou a versão de que o menino tinha se machucado ao descer do carro.

Ao fazer raio-x, a mãe descobriu que havia fratura grave, e a criança precisou ficar meses engessada.

Mais violência

O casal ficou cerca de seis anos juntos, “entre idas e vindas”. A ex-namorada citou ainda casos de violência contra ela, como um chute que levou e causou a fratura de um dedo do pé, soco no rosto e tentativa de enforcá-la, depois de uma discussão.

“Quando eu falei que ele iria me matar, ele parou e disse para irmos dormir”. Em outra briga, ele a arrastou pelo chão e deu mordidas na cabeça dela.

“No dia seguinte, ele tratou como se nada tivesse acontecido”, lembrou. Tinha medo dele”.

Jairinho não acompanhou o depoimento presencialmente, a pedido da testemunha.

Volta de advogado

O júri contou nesta quinta-feira com a presença de Fabiano Lopes, defensor de Jairinho, que estava ausente por ter sofrido um infarto no último sábado (23). A falta dele no início do julgamento chegou a ser usada pelo réu para tentar adiar o júri.

Na entrada do tribunal, o advogado disse aos jornalistas que precisava estar presente, pois seriam ouvidas testemunhas que fazem parte de outros processos de agressão contra Jairinho.

O dia de depoimentos estava marcado para começar às 9h desta quinta-feira (28), mas só foi iniciado por volta das 10h30, porque um dos jurados passou mal e precisou de atendimento médico.

Interrupção

No meio da tarde, a juíza Elizabeth Machado Louro, que preside o Tribunal do Júri, ordenou a saída do plenário de uma advogada identificada como Selma Blum, afirmando que ela tentava enxergar anotações dos jurados, procedimento ilegal nesse tipo de julgamento.

Ela acompanhava a audiência apesar de não participar formalmente de nenhuma banca de defesa – prática comum em júris. Selma negou o ato. A sessão precisou ser interrompida por alguns minutos.

O caso

De acordo com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro e a Polícia Civil, a morte de Henry foi causada por agressões cometidas por Jairinho, então vereador no quinto mandato. Monique colaborou por ter sido omissa e sabia de casos anteriores de agressão.

De início, Jairinho e Monique tinham o mesmo advogado. Mas, atualmente, cada um tem uma equipe de defesa. Ao todo, foram arroladas 27 testemunhas de acusação e de defesa. A decisão do júri será tomada por sete jurados. A expectativa inicial era de que o julgamento durasse cerca de cinco dias.

Dr. Jairinho é acusado dos seguintes crimes: homicídio qualificado por meio cruel que impossibilitou a defesa da vítima; três torturas praticadas contra criança; fraude processual; coação no curso do processo.

Monique responde por sete crimes, entre eles homicídio, coação no curso do processo, tortura e fraude processual.

*Reportagem ampliada às 16h32 com novos depoimentos.

 

FOTO DE ARQUIVO – Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Dr. Jairinho, e Monique Medeiros são acusados pela morte de Henry Borel. Foto: PCRJ/Divulgação

Fonte: Agência Brasil

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